Obras na Ponte Luís I vão custar quase o dobro do previsto

Novo concurso público deverá ser lançado “no início de setembro”, com um valor de 3,8 milhões de euros.

A Infraestruturas de Portugal prepara-se para lançar um novo concurso público, no valor de 3,8 milhões de euros, para reabilitar o tabuleiro inferior da Ponte Luís I, entre Porto e Gaia, quase o dobro do orçamento do primeiro procedimento, que acabou por ficar deserto. A entidade que tutela a travessia prevê lançar o novo concurso “no início de setembro”, sendo que “logo que se conclua o processo de contratação, a obra será iniciada”.

De acordo com a Infraestruturas de Portugal (IP), “a alteração do preço base da empreitada prende-se com os valores atuais ditados pelo mercado” e por a “intervenção obrigar a mão de obra altamente especializada”.

O projeto de reabilitação da travessia teve o aval da Direção-Geral do Património Cultural em janeiro do ano passado, após ter sido chumbado em 2018. Na altura, o documento recebeu um parecer condicionado, tendo sido necessária a sua reformulação. O primeiro concurso público foi lançado há cerca de um ano; no entanto, as propostas foram todas superiores aos dois milhões de euros estipulados para o desenvolvimento da empreitada. A intervenção vai durar um ano.

“Vergonha”

Apesar da profunda degradação do piso, numa resposta escrita enviada ao JN, a IP sublinhou que a ferrugem e os buracos não põem em causa a segurança da ponte. E garante que, “tal como acontece em toda a sua rede”, “monitoriza em permanência as suas infraestruturas, com especial enfoque nas obras de arte”. No que toca à Ponte Luís I, a IP reforça que “não está em causa qualquer anomalia estrutural pelo que a sua segurança não está em causa”.

Ainda assim, quem vive e trabalha na Ribeira do Porto sublinha a importância da reparação. “Tenho medo, principalmente quando chove, de andar em cima dos passeios [da ponte] porque a chapa já está tão gasta que a gente escorrega”, afirmou Maria Sousa, recordando que “há muitos anos” havia um “guarda” a vigiar a travessia.

“Havia muita manutenção. Agora vê-se os buracos que tem. É uma vergonha”, contou a portuense de 63 anos.

A trabalhar na Ribeira, Eduardo Monteiro cruza todos os dias o tabuleiro inferior da travessia e já deu uma queda no passeio. “Estas obras são importantes. O passadiço para os peões está muito degradado e escorregadio, principalmente no inverno. Vê-se muitas oscilações na parte do ferro e as pessoas tropeçam”, contou.

Pedido de indemnização “está a ser analisado”

A IP adiantou ao JN que o pedido de indemnização feito por Debra Hillebrand, uma turista norte-americana que, de férias no Porto, sofreu uma queda na ponte, “está a ser analisado e tratado entre os mandatários das partes”. O acidente ocorreu há um ano, tendo a turista sido encaminhada para o Hospital de Santo António, onde foi operada e ficou internada. Afetada psicologicamente e impossibilitada de mastigar alimentos sólidos devido ao acidente, pediu uma indemnização para cobrir os gastos médicos.

FONTE: Jornal de Noticias